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Categoria: Notícias

Mais pistas sobre como o SARS-CoV-2 pode virar o sistema imunológico contra nós

Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos EUA, descobriram que as crianças carregam uma carga viral do Sars-CoV-2 (novo coronavírus) muito mais alta do que se pensava, principalmente nos primeiros dois dias de infecção. As crianças infectadas mostraram um nível significativamente mais alto do vírus em suas vias aéreas do que adultos hospitalizados em UTIs para tratamento com covid-19, de acordo com o Massachusetts General Hospital (MGH) e o Mass General Hospital for Children (MGHfC), ambas instituições afiliadas à Harvard Medical School. O estudo foi publicado dia 19 de agosto de 2020 no Journal of Pediatrics.

A pesquisa envolveu 192 pessoas com idades entre zero a 22 anos que estavam em unidades de atendimento de urgência por suspeita de covid-19. Quarenta e nove delas – um quarto do total – testaram positivo para o vírus. Outras 18 foram incluídas no estudo após serem diagnosticadas com síndrome inflamatória multissistêmica, uma doença grave relacionada à covid que pode se desenvolver várias semanas após uma infecção. 

Fasano e colegas do Massachusetts General e do Hospital Pediátrico MassGeneral, de Boston, descobriram que as crianças infectadas têm um nível significativamente mais alto de vírus nas vias aéreas – esta parte do corpo é um dos principais vetores transmissão – do que os adultos hospitalizados em UTI para tratamento da covid-19. Os altos níveis virais foram encontrados em bebês e adultos jovens, embora a maioria dos participantes tivesse entre 11 e 17 anos.

Os autores sugerem que outros cientistas se equivocaram ao analisar a evolução epidemiológica da pandemia sob a perspectiva sintomática da doença. Acreditava-se que o número reduzido de receptores do coronavírus – a chamada proteína ACE2, pela qual a proteína spike do Sars-CoV-2 entra nas células humanas – nas crianças levaria a uma menor carga viral, mas o estudo de Harvard derruba essa ligação e alerta que elas podem ser mais contagiosas independentemente da suscetibilidade à covid-19.

Segundo Fasano, como a maioria das crianças infectadas com o novo coronavírus tem sintomas muito leves, elas foram amplamente negligenciadas como um grupo demográfico nos estágios iniciais da pandemia.

“Existem alguns dados conflitantes sobre o grau em que as crianças podem ser contagiosas”, disse a Dra. Marybeth Sexton, professora assistente de doenças infecciosas da Escola de Medicina da Emory University em Atlanta, que não participou do estudo. “Esta é mais uma evidência de que podemos ver as crianças como fontes de infecção.” Ela acrescentou que pesquisas mais extensas são necessárias.

Risco da volta às aulas

Eles questionam se a reabertura de escolas, mesmo com protocolos sanitários rigorosos, vale o risco para alunos, famílias e educadores. “Quanto mais entendemos, mais isso aponta que ninguém é poupado nesta pandemia”, pontua Fasano.

Desde o início do segundo semestre de 2020, a volta às aulas intensificou-se como centro da discussão da pandemia no Brasil e no mundo. Os pesquisadores do estudo, no entanto, apontam o risco de as crianças retornarem às salas tendo em vista os resultados do novo estudo.

Os pesquisadores enfatizam a necessidade de medidas de controle de infecção, tais como distanciamento social, uso de máscara, lavagem das mãos e uma combinação de aprendizagem remota e presencial. Para elas, é necessário realizar a triagem de rotina e contínua de todos os alunos para considerar o retorno às aulas. “Este estudo fornece fatos muito necessários para que os formuladores de políticas tomem as melhores decisões possíveis para escolas, creches e outras instituições que atendem crianças”, diz Fasano. O médico teme que um retorno apressado à escola sem um planejamento adequado possa resultar em um aumento nos casos de infecções por covid-19. “Se as escolas forem reabertas.

leia o estudo em sua integra aqui

Foto de capa: Pablo Porciuncula / AFP / CP

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Agosto 2020

Em julho, depois de quatro meses de epidemia de covid-19 na cidade de São Paulo, teve início uma fase de relaxamento das medidas de distanciamento social, trazendo o temor de piora da situação. No entanto, o que aconteceu foi uma redução do número de casos, mortes e de ocupação de leitos. Para entender essa situação, uma pesquisa com participação do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMTSP) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) usou um modelo que simula a disseminação da doença a partir dos números oficiais de distanciamento social. O estudo, publicado como pré-print (versão prévia de artigo científico, sujeita a verificação), concluiu que a diminuição pode ser causada pela formação de bolhas de proteção local, onde os infectados estão rodeados de pessoas imunes, ao mesmo tempo em que se esgotam as redes de contágio.

A pesquisa usou um modelo desenvolvido pelo Ação Covid-19, um grupo interdisciplinar que estuda como a desigualdade afeta a evolução da pandemia no Brasil, reunindo pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) e de outras instituições. O modelo combina o cronograma oficial da taxa de distanciamento social divulgado pelo governo do Estado de São Paulo com a hipótese de redução da taxa de distanciamento social para 20% em média em 100 dias, a partir de 12 de julho.

“A curva epidêmica média após 238 dias de simulação, contados desde o primeiro caso da doença, registrado em 25 de fevereiro, mostra uma taxa de 12,71% de infectados e 0,12% de mortes, ou seja, 0,9% de letalidade”, afirma Gerusa Maria Figueiredo, pesquisadora do IMTSP, que participou do trabalho. “A simulação mostra a curva de transmissão diminuindo, mesmo com uma redução drástica do isolamento social, com um aumento leve e temporário a partir do 150º dia.”

De acordo com a pesquisadora, o resultado parece contraditório ao levar em conta que devido à baixa taxa de imunidade, a imunidade de rebanho está distante. “Por isso foi levantada a hipótese do surgimento de bolhas locais de proteção na cidade. As bolhas seriam locais onde existem pessoas infectadas, mas rodeadas de pessoas já imunes, quer seja pela doença sintomática ou assintomática, e estas protegendo os suscetíveis dessa mesma região”.

Gerusa aponta que uma explicação adicional para a redução do contágio é o esgotamento da rede de infecção. “Isso ocorre quando o vírus está presente em uma parte da população por um período relativamente longo, nesse caso, de 138 dias desde o primeiro caso registrado. Um número substancial de infectados não encontra muitas pessoas suscetíveis no ambiente para infectar durante o período de transmissão, o que seria suficiente, a princípio, para diminuir a taxa de transmissão”, aponta. “Esses resultados podem ser encontrados em outras situações, como as de Manaus e Estocolmo, que também tiveram queda de casos após relaxamento das políticas de distanciamento social.”

Bolhas de proteção

Dado o baixo número de pessoas imunes no município de São Paulo apresentado pelos inquéritos sorológicos, essa redução representa um equilíbrio instável, que é fundamentalmente diferente da estabilidade esperada da imunidade de rebanho, observa a pesquisadora. “Essas bolhas de proteção podem estourar ou as redes podem ser reiniciadas, ou seja, novas ondas de transmissão podem ocorrer se o distanciamento social cair muito ou houver uma reintrodução do vírus em regiões da cidade onde poucas pessoas foram infectadas e, portanto, não se tornaram imunes à doença”, alerta. “Prever essas ‘bolhas estouradas’ é difícil, mas não é um fato improvável.”

“O risco de rompimento das bolhas poderia ser bastante reduzido com políticas de testes em massa ou com a combinação de testes seletivos e rastreamento de contato”, ressalta Gerusa. “No momento, onde perdeu-se a chance de lockdown, a testagem de casos pouco sintomáticos e o rastreamento de contatos com realização de testes RT-PCR seria uma estratégia razoavelmente eficaz na redução da cadeia de transmissão”, afirma. “Infelizmente, além do número total de testes realizados, não se sabe como esta estratégia está sendo efetivada nos territórios cobertos pela atenção básica, comprometendo o trabalho da Vigilância Epidemiológica. Uma estratégia de comunicação clara para a população, com mensagens não contraditórias, também é de suma importância.”

Fonte: BBC + Jornal USP ( Júlio Bernardes)

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Oxford | AstraZeneca

Em teste no Brasil, esta vacina usa uma versão mais branda de um vírus que causa uma gripe comum em chimpanzés, chamado CHAdOx1.

O vírus foi geneticamente modificado para não causar infecções em pessoas e para fazer as nossas células produzirem uma proteína que existe na superfície do coronavírus.

É esta proteína que se liga aos receptores das células humanas e permite ao coronavírus infectá-las.

O objetivo da vacina é fazer com que as nossas células passem a produzir essa proteína e que isso ensine o nosso sistema imune como se defender do coronavírus.

Esta vacina está em testes que combinam as fases 2 e 3 na Inglaterra e na Índia e em testes de fase 3 na África do Sul, além do Brasil, onde dois mil profissionais de saúde no Rio de Janeiro e São Paulo são voluntários.

A AstraZeneca disse que terá capacidade de fabricar 2 bilhões de doses e já firmou acordos para fornecer 400 milhões delas.

Os pesquisadores responsáveis dizem que ela pode começar a ser disponibilizada em outubro.

No Brasil, a vacina será produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), como parte de acordo fechado pelo Ministério da Saúde.

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